Gender Pay Gap

 

Vamos lá luminosas, àquilo que nos interessa ❤

Não me venham com histórias que o que querem é ser felizes e está bom. Eu acredito que essas pessoas existam, mas essas pessoas não são as minhas seguidoras.

Ser feliz, na tribo urbana em que me insiro, passa por realização pessoal e profissional.

Deixemos a pessoal para outros carnavais. A profissional distribui-se, incontornavelmente, por ascensão na carreira, a valorização da nossa experiência e óbvio que isto tudo se traduz em remuneração.

Essa brincadeira de que uma lady não fala de dinheiro é peta. Um lady fala de dinheiro, com certeza.

  •  Problema:

Eu sei que é ridiculo, sabemos todas, mas a verdade insana é que, nos dias de hoje, continua a ser comum (eu aqui até me mandava para fora de pé e diria “predominante”) um homem receber mais do que uma mulher.

  • Factos:

O “gender pay gap” não nos diz se as mulheres estão a ser menos bem pagas pela mesma função em relação aos homens. Isto é na realidade ilegal desde que o Equal Pay Act foi introduzido em 1970, em UK.

Não encontrei referencias nenhumas em relação a Portugal, nesta matéria.

Anyway, o Gender Pay Gap fala-nos das diferenças de de funções que homens e mulheres desempenham dentro das empresas e instituições: part-time jobs muito desempenhados por mulheres e senior roles nem vê-los.

 

  • Diferença nos bónus:

No sector financeiro, por exemplo, por cada bónus de 1£ dado a um homem, a mulher ganha, uns jeitosos 65 cent. Estamos a falar de bónus, não de salários.

 

  • Diferença de papéis:

Por exemplo, na indústria aérea. Os pilotos são quase exclusivamente homens enquanto que a cabin crew são quase sempre meninas.

 

Não ha NENHUM sector que pague mais às mulheres do que aos homens

 

As mulheres representam 47% da força de trabalho da maioria das empresas e instituições. Contudo, apenas 35% chegam a desempenhar papéis de managers, directoras ou senior roles.

Estereotipar inconscientemente é uma doença crónica da sociedade. Não tem como. Está-nos enraizado cultural e socialmente uma percepção modelo do papel da mulher e do homem, dentro das suas esferas pessoais e profissionais.

Into guia-nos a um limite de oportunidade incrível.

Quero com isto dizer que já começamos a corrida uns 10 metros atrás do local de partida. Parece irreal mas muitas propostas nem chegam a acontecer por se assumir que a mulher não iria aceitar.

Ou porque implicaria mudança de residência, ou horário laboral irregular ou extenso, ou 30 por uma linha que nos impeça a todas de ser essa bordadeira exemplar.

 

  • O que é que me vai na cabeça

Obiviamente que me dá voltas às vísceras pensar nesta realidade. Não só porque é extremamente injusto como também me obriga a aceitar que, enquanto mulheres somos todas colocadas no saquinho cor-de-rosa,  a dizer “Bride to be” ou “Mom to be”. 

Ninguém olha para um homem assumindo que o sonho da vida dele é casar ou ser pai. Com uma mulher, seja quem for a mulher, assumimos que sonha todos os dias com esse mês louquitxo de negligencia profissional, que é a lua-de-mel.  Assumimos que pode ficar em casa mais vezes porque tem crianças. Mesmo que tenha contribuído os mesmos 50% para as ter, que o pai dos miúdos.

Assumem-nos como menos certas por sermos emocionais. Ah e também temos aquela altura do mês que nos suga algum discernimento. E expele-o nas cuecas, durante uns dias valentes. Também temos de ir muitas vezes à casa de banho. Uma chatice para a produtividade.

The raw gap in productivity between female and male scientists declined significantly, with the female-to-male ratio increasing from about 60 percent in the late 1960s to 75-80 percent in the late 1980s and early 1990s. This held true even when we did not control for any other factors, such as age, rank, field, and employment positions and resources. Second, when we did control for those factors, the gender gap disappeared entirely, suggesting that when all things are equal, female scientists are just as productive as their male colleagues.

Ou não.

For those who wish to see gender equity in research productivity among scientists, it may be discouraging to know that the remaining 20-25 percent gender gap in productivity was entirely due to the unequal distribution of personal characteristics, structural positions, and facilitating resources between the two genders.

Não chegassem todos estes factores que me parecem uns 100m de barreiras para uma doente cardíaca, ainda temos esse fenômeno espetacular que é:

fodermo-nos umas às outras.

 

Amores, na cabeça das mulheres no geral, também é difícil de aceitar e respeitar uma chefe mulher. Com mais resistência adoptamos uma postura submissa a uma mulher no comando do que a um homem. Com mais dificuldade lhe observamos qualidades de chefia e liderança. 

Porque somos o bicho mais desequilibrado e competitivo da natureza, arriscaria eu. Isso faz de nós produtivas mas nunca deixamos de ser abelhinhas operárias.

 

  • A minha situação actual

Posso dizer-vos que estou, neste momento, a desempenhar um cargo de Team Coach. Basicamente, e trocando por miúdos, os planos de tratamento estão à minha responsabilidade bem como a condução técnica dos casos, a distribuição das consultas pelos gabinetes e pelos clínicos e a gestão das assistentes e das suas funções ao longo do dia. Muita divertido.

Tenho, no mesmo patamar hierárquico que eu, um colega homem. Um fixe, adoro-o de morte. Relaxado, pouco expressivo. A equipa adora e faz tudo o que pede com satisfação e um sorriso no rosto. Trabalhamos a ritmos diferentes. Eu sou, como já sabem, workaholic, e gosto de tudo organizado e finalizado, na perfeição e o quanto antes. Ponho pressão na equipa? Ponho. Em medicina, como em outros sectores, medem-se resultados, não se medem esforços. E, penso eu, que por ser metódica e objectiva, me colocaram neste posto. Também não tenho sobre as mulheres o efeito de aprovação que procuram, na maioria das vezes, num chefão homem.

Pois bem, novidade das novidades: eu vejo-me a braços com a manutenção emocional do mulherio. Todas as frases têm de ser medidas para não virar rapidamente a bitch de Westminster, a quem desejam endometriose.

O que sinto é que por ser mulher, procuram em mim a pessoa, o meu lado humano e não o de colega ou chefe. 

Ao meu colega homem não lhe perguntam se é casado. A mim perguntam. A ele não lhe perguntam se ele tem filhos. A mim perguntam. Com ele assumem que ele tem o cargo de chefia e não tem nenhum human touch para dar ao seu papel. Eu tenho.

E isto minhas amigas, só me acontece com os membros femininos da equipa.

Portanto, é uma injustiça a que vivemos, mas no fundo somos sempre nós a lutar contra nós.

 

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